Estava tudo em seu lugar. A rua, a pressa, o costume de seguir. Até que uma voz, em outra mesa,disse uma palavra do teu jeito. E a tarde mudou de temperatura.
Voltou teu riso perto do meu ouvido. A demora dos teus dedos antes de soltarem os meus. Aquela maneira de chegar e deixar a porta aberta enquanto me beijava.
Na mesa ao lado, a conversa já era outra. Alguém pediu a conta. Uma cadeira arrastou o silêncio pelo chão. Fiquei mais um pouco. Há dias em que lembrar de você é apenas isso: uma coisa antiga que posso tocar sem desarrumar.
Hoje, porém, a lembrança veio com as mãos quentes. Puxou uma cadeira, sentou perto, perguntou se ainda havia tempo.
O sol descia pelas janelas. E eu quase te amei outra vez com a coragem distraída de quem esquece onde doeu. Se você chegasse agora, talvez eu deixasse a pergunta sobre o amanhã para depois do abraço.








